FREIXINHO
Descendo à beira do Távora, encontra-se
Freixinho, terra abençoada, de hortas frescas, pomares, vinha e olival. Aquilino falar-nos-á do Dr. António Mota, seu amigo do peito, de que há ali a casa de família. Mais nos falará da sua tia Custódia que foi educada no
Recolhimento , espécie de pequenino mosteiro onde as mulheres entravam sem votos e onde as educandas não tinham que ser freiras.
Pois foi o egrégio pregador a Freixinho e, no decorrer das festas, aconteceu-lhe falar em Custódia, tais elogios lhe tecendo que a madre priora não descansou enquanto lhe não levaram a moça. Foram com ela mãe, pai e irmão, por estremecimento que não com intenção de encarecer tal jóia. Ora, mais depressa que chegasse, mais depressa lá ficava. Tomaram-na, desobrigada de qualquer pensão. Sim, o pai não pagava nenhuma espécie das alcavalas cobradas às outras educandas. Agora, se havia caminho bem trilhado por peitas e que ficasse assinalado, aos olhos da cara de quem as levava, em suas pedras, seus barrancos, suas árvores, era esse do Convento. Cabritos, trutas, primores da terra, mimos da salgadeira, caça na época própria, tal o rio de presentes a correr de Lomba para Freixinho.
Cinco Réis de Gente